segunda-feira, 19 de junho de 2017

«A lei perfeita, a lei da liberdade» (Tg 1,25)

2ª Carta aos Coríntios 6,1-10. 

Irmãos: Como colaboradores de Deus, nós vos exortamos a que não recebais em vão a sua graça.
Porque Ele diz: «No tempo favorável, Eu te ouvi; no dia da salvação, vim em teu auxílio». Este é o tempo favorável, este é o dia da salvação.
Evitamos dar qualquer motivo de escândalo, para que o nosso ministério não seja desacreditado.
Mas mostramo-nos em tudo como ministros de Deus, com grande perseverança nas tribulações, nas necessidades, nas angústias,
nos açoites, nos tumultos, nas prisões, nos trabalhos, nas vigílias, nos jejuns;
pela pureza, pela sabedoria, pela paciência, pela bondade, pelo espírito de santidade, pela caridade sem fingimento;
pela palavra da verdade, pelo poder de Deus; pelas armas ofensivas e defensivas da justiça;
na honra e na ignomínia, na difamação e na boa fama. Somos considerados como impostores, embora verdadeiros;
como desconhecidos, embora bem conhecidos; como agonizantes, embora estejamos com vida; como condenados, mas livres da morte;
como tristes, mas sempre alegres; como pobres, mas enriquecendo a muitos; como não tendo nada, mas possuindo tudo.



Livro de Salmos 98(97),1.2-3ab.3cd-4. 

Cantai ao Senhor um cântico novo
pelas maravilhas que Ele operou.
A sua mão e o seu santo braço
Lhe deram a vitória.

O Senhor deu a conhecer a salvação,
revelou aos olhos das nações a sua justiça.
Recordou-Se da sua bondade e fidelidade
em favor da casa de Israel.

Os confins da terra puderam ver
a salvação do nosso Deus.
Aclamai o Senhor, terra inteira,
exultai de alegria e cantai.




Evangelho segundo S. Mateus 5,38-42. 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Ouvistes que foi dito aos antigos: ‘Olho por olho e dente por dente’.
Eu, porém, digo-vos: Não resistais ao homem mau. Mas se alguém te bater na face direita, oferece-lhe também a esquerda.
Se alguém quiser levar-te ao tribunal, para ficar com a tua túnica, deixa-lhe também o manto.
Se alguém te obrigar a acompanhá-lo durante uma milha, acompanha-o durante duas.
Dá a quem te pedir e não voltes as costas a quem te pede emprestado».

«A lei perfeita, a lei da liberdade» (Tg 1,25)

A quem te tirar a túnica, diz Cristo, dá também o teu manto; a quem ficar com o que te pertence, não o reclames; e aquilo que quiserdes que os outros vos façam, fazei-o vós a eles (Mt 5,40; Lc 6,30-31). Deste modo, não nos entristeceremos como pessoas a quem arrebatam os bens contra a sua vontade, mas, pelo contrário, alegrar-nos-emos como pessoas que dão de bom grado, uma vez que faremos ao próximo um dom gratuito em vez de cedermos a uma pressão. E diz ainda: se alguém te obrigar a caminhar uma milha, caminha duas com ele; desse modo, não o seguimos como um escravo mas precedemo-lo como homens livres. Em todas as coisas, portanto, Cristo convida-te a tornares-te útil ao teu próximo, não considerando a sua maldade mas acrescentando a tua bondade. Convida-nos assim a tornar-nos semelhantes ao nosso Pai «que faz nascer o sol sobre os maus e sobre os bons e cair a chuva sobre os justos e sobre os injustos» (Mt 5,45).
     
E isto não é obra de quem vem abolir a Lei mas de alguém que a cumpre e a alarga (Mt 5,17). O serviço da liberdade é um serviço mais amplo; o nosso libertador propõe-nos uma submissão e uma devoção mais profundas. Porque Ele não nos libertou das amarras da Lei antiga para que nos separemos dele {...] mas para que, tendo recebido mais abundantemente a sua graça, O amemos mais e, tendo-O amado mais, recebamos dele uma glória ainda maior quando estivermos para sempre na presença de seu Pai.


«Deixa-lhe também o manto»

Viver do Amor é dar sem olhar 
Sem neste mundo exigir um salário. 
Ah! Eu dou sem contar, 
Pois sei que quem ama é perdulário! 
Ao Coração Divino, que transborda ternura, 
Dei tudo. [...] Corro meus dias ligeira, sem dor nem fraqueza 
Nada mais tendo que esta minha riqueza: 
Viver do Amor. 

Viver do Amor é banir o temor, 
Riscando a lembrança dos erros passados. 
De meus pecados não vejo nem cor, 
Com amor inflamante foram perdoados! 
Ó doce fornalha, ó divina chama, 
Morada que elejo com todo o fulgor, 
Canto em teu fogo, e sou eu quem clama (cf Dn 3,51): 
«Vivo de Amor!» [...] 

«Viver do Amor, que estranha loucura!», 
O mundo me diz. «Cessai de cantar! 
Os perfumes e a vida futura 
Com utilidade os deveis empregar!» 
Amar-Te, Jesus, se é perda, é ganho fecundo! 
Para sempre são teus meus perfumes, Senhor, 
Quero cantar ao deixar este mundo: 
«Morro de Amor!» 

Amar é tudo dar e dar-se a si mesmo.

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